ÉPOCA – EDIÇÃO 873 – 2015

“Assim como a criação não depende só de grandes centros de pesquisa, também o financiamento é mais pulverizado. Cresce o papel de estratégias inovadoras para captar investimento. Uma das mais promissoras é uma espécie de “vaquinha” on-line, conhecida como crowdfunding. Esse modelo de arrecadação permite que pessoas físicas colaborem com projetos. As campanhas têm um tempo-limite e, se a meta não for batida, o dinheiro é devolvido. O trio criador do medidor de energia – o designer Thiago Holzmeister e os engenheiros Pedro Bittencourt e Raphael Guimarães – captou com crowdfunding dinheiro para um lote-piloto de medidores. A partir de julho deste ano, 110 financiadores receberão os medidores em troca do apoio. Com as tarifas de energia subindo, quem investiu no projeto pode se considerar visionário.

O Rio de Janeiro vive uma crise econômica com a queda do preço do petróleo e o mau momento da Petrobras. Até por  isso, seria exagero comparar o Rio ao Vale do Silício. Os crônicos problemas educacionais do Brasil e as limitações da burocracia do país a uma cultura empreendedora criam um abismo enorme entre a Baía de Guanabara e a Baía de San Francisco. Mesmo assim, o espírito livre e inventivo do carioca – e a riqueza cultural de uma cidade sempre aberta ao novo – torna o Rio um poderoso catalisador de iniciativas cujo combustível principal são as ideias.”